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Alegre, segunda-feira, 13 de janeiro de 2025
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Registro - Em 2009, commodity deve seguir em baixa
Data:
15/10/2008
As commodities agrícolas não deverão subir no ano que vem, em vista da propagação da crise financeira norte-americana e do congelamento do crédito, que paralisam a economia mundial, disse a administradora de fundos Aisling Analytics Pte. Os Estados Unidos estão ingressando em sua primeira recessão prolongada puxada pelo consumidor, seguidos pela União Européia (UE), enquanto as medidas de estímulo adotadas pela China podem não ser suficientes para alimentar uma alta das commodities, disse Conor O""Malley, analista da empresa, sediada em Cingapura, em conferência proferida hoje em Jinan, na China. O Merchant Commodity Fund, de US$ 2 bilhões, administrado pela Aisling e gerido por Michael Coleman e Doug King, ex-operadores da Cargill Inc., derrotou os fundos de hedge em setembro. O fundo subiu 12%, com a queda vertical dos preços dos combustíveis e produtos agrícolas. "Será que este é o fim do superciclo altista das commodities? A coisa não parece nada boa: não há luz no fim do túnel para o ano que vem", disse O""Malley a um público de executivos de tradings de algodão e empresas têxteis. Mesmo assim o petróleo, a soja, o milho e o trigo deram um salto pelo segundo dia consecutivo depois que os BCs mundiais inundaram o mercado de dinheiro, numa iniciativa que poderá estimular a demanda por commodities. Os Estados Unidos enfrentam pela primeira vez uma recessão puxada pela queda do consumo, que difere das recessões anteriores, caracterizadas por "choques""" externos como o que ocorreu depois da primeira Guerra do Golfo, disse O""Malley. Para ele, a atual recessão provavelmente será mais prolongada. "A crise do crédito está longe de ter sido solucionada", e ela limitará o crescimento e tolherá os gastos em 2009, disse O""Malley. Alguns investidores, com exceção dos gestores de fundos referenciados em índices, saíram da área de matérias-primas, desencadeando a queda das transações. Na primeira semana de outubro, quase US$ 2,5 bilhões deixaram os mercados de produtos agrícolas, na maior evasão desde janeiro de 2006. Algumas pessoas depositaram suas esperanças na possibilidade de o governo chinês lançar grandes pacotes de estímulos, mas,"infelizmente, não acho que isso tenha acontecido", disse O""Malley. Não está claro que as medidas a serem adotadas pelas autoridades chinesas serão intensivas no consumo de commodities, ou ainda suficientes para estimular uma alta desses produtos primários, disse O""Malley. A China "obviamente", vai se expandir, mas há o risco de que o país possa não reagir bem à desaceleração do crescimento, disse ele. A China poderá tentar estimular as exportações pelo aumento dos descontos fiscais sobre as exportações, mas esse tipo de medida não funcionará se não houver mercados de exportação para os seus produtos, disse O""Malley.