A partir de hoje a safra de verão 2009/10 está oficialmente aberta no Paraná. É que terminou ontem o Vazio Sanitário, período de 90 dias em que não é permitida a presença de soja no campo. Nos dois primeiros meses de vigência da medida, o Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abaste cimento (Seab) encontrou plantas vivas em uma área de 4.720 hectares e fez 137 noticicações. Entre 15 de julho e 15 de agosto, os fiscais dos 20 núcleos regionais da Seab fizeram 54 autuações, em um total de 1.515 hectares.
Em 2008, primeiro ano de vigência do vazio sanitário no Paraná a Seab registrou neste mesmo perído 76 notificações e 23 autuações. Os números maiores que no ano passado não indicam, contudo, que o produtor deixou de fazer a sua parte, afirma a engenheira agrônoma do Defis, Maria Celeste Marcondes. Ela relata que não foram encontradas lavouras comerciais durante o trabalho de fiscalização e que maior parte dos casos de autuação ocorreu em áreas de soja guaxa, germinada voluntariamente no pós-colheita, principalmente à margem de ferrovias e rodovias. “Os produtores colaboraram e certamente atingiremos o objetivo que é o de retardar a incidência de focos da ferrugem asiática para a próxima safra”, afirmou.
O vazio sanitário é adotado em nove estados brasileiros como uma estratégia adicional no manejo da ferrugem asiática da soja. O objetivo da prática é reduzir a quantidade de esporos do fungo Phakopsora pachyrhizi no ambiente e, dessa forma, inibir o ataque precoce da doença durante a safra. Implantada em 2006 em Mato Grosso e em Goiás, a medida foi adotada nos anos seguintes por Mato Grosso do Sul, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Bahia e Paraná. A regra geral para todas as regiões é a proibição de cultivo da soja no período estabelecido, mas o calendário varia conforme o estado. Mato Grosso e Paraná encerram ontem a campanha.
A Seab ainda está computando os dados referentes as fiscalizações feitas entre 15 de agosto e 15 de setembro, último mês de vigência da campanha. O balanço final será divulgado pela secretaria nas próximas semanas. No segundo ano de vazio sanitário no Paraná, a soja de entressafra ocupou extensão 25% maior que a de 2008. Conforme o Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, o plantio de 58,78 mil hectares rendeu 84,50 mil toneladas de soja na safrinha de 2009. No ano passado foram colhidas 77,6 mil toneladas em 47,2 mil hectares.
Safra de verão Com o término do período do vazio sanitário, o plantio da soja de verão está liberado no estado e deve crescer 7% em relação ao ano anterior. Conforme levantamento do Deral, os produtores paranaenses devem destinar à oleaginosa 4,28 milhões de hectares no ciclo 2009/10, para um potencial produtivo de 13,01 milhões de toneladas. Confirmado, o resultado será 39% maior que o da safra passada, que foi frustrada pela estiagem e rendeu 9,37 milhões de toneladas.
Já o milho terá o plantio reduzido em 20%, para pouco mais de um milhão de hectares, de acordo com o Deral. Até o início da semana, 13% da área prevista já havia sido semeada. Apesar da área menor, com clima favorável a produção pode ser 8% maior, de até 7,1 milhões de toneladas. No ano passado, prejudicada pela seca, a safra de verão paranaense somou apenas 6,56 milhões de toneladas.
Embrapa retoma sistema de alerta O Consórcio Antiferrugem, coordenado pela Embrapa Soja, retomou ontem trabalho de monitoramento da doença. O objetivo é mapear as localidades que registram ocorrêrncias da ferrugem, alertando técnicos e produtores para a presença do fungo. “Os produtores devem ficar atentos, mesmo nos cultivos iniciais, realizando monitoramento a partir dos primeiros estágios de desenvolvimento da planta”, alerta a pesquisadora Cláudia Godoy.
Segundo ela, no inverno de 2009, o excesso de chuvas favoreceu o desenvolvimento da soja voluntária e os focos de ferrugem nas regiões Sul e Centro-Oeste do país. “Isso ressalta a importância de fazer o monitoramento das lavouras, mesmo nas semeaduras inciais, para que o controle seja feito na hora certa e se evite reduções de produtividade”, alerta.
Ao longo do ciclo passado, o Consórcio identificou no Brasil 2.884 focos da doença, número 37% maior que o registrado na safra anterior. No Paraná, foram 1.582 casos, 52% mais que na temporada 2008/09. Conforme levantamento da Embrapa, o valor investido para o controle químico da doença na safra 2008/2009 foi de R$ 2,8 bilhões, ou US$1,5 bilhão, considerando o valor médio de US$ 30 por aplicação/hectare e média nacional de 2,4 aplicações/hectare.